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Frota com motorista terceirizado: quem responde pela multa

Agiliza Multas · Atualizado em 13/07/2026
Resposta direta: Quando um motorista terceirizado comete uma infração com veículo da frota, o autuado é o proprietário do veículo (a empresa). O proprietário pode transferir a responsabilidade financeira ao condutor real por meio da indicação prevista no art. 257 do CTB, feita dentro do prazo da notificação. Sem essa indicação, a multa e os pontos ficam na pessoa jurídica proprietária, o que pode gerar complicações no licenciamento.

Quem é o responsável legal pela multa: proprietário ou motorista?

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro no art. 257: a multa de trânsito é lavrada contra o proprietário do veículo. Em uma frota com motoristas terceirizados, isso significa que a empresa proprietária dos caminhões, vans ou carros de serviço aparece como autuada na notificação de autuação, independentemente de quem estava ao volante.

Esse ponto gera confusão nas frotas que contratam motoristas por meio de empresas de logística, aplicativos de frete ou contratos de prestação de serviço. A relação trabalhista entre contratante e motorista não muda a lógica do trânsito: o DETRAN enxerga o proprietário, não o condutor do momento.

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O mecanismo de indicação de condutor (art. 257, §7º do CTB)

A lei previu exatamente esse cenário. Pelo art. 257, §7º do CTB, o proprietário que não estava conduzindo pode transferir a responsabilidade financeira e administrativa da multa ao condutor real, desde que o indique formalmente ao órgão de trânsito dentro do prazo indicado na Notificação de Autuação, normalmente 30 dias.

O processo funciona assim:

  1. A empresa recebe a Notificação de Autuação (NI) pelo correio ou pelo sistema eletrônico do DETRAN.
  2. Identifica, pelos registros internos, qual motorista terceirizado estava com o veículo no dia e horário da infração.
  3. Preenche o formulário de indicação de condutor, assinado pelo representante legal da empresa, com os dados do motorista: nome, CPF, número de CNH e validade.
  4. Envia dentro do prazo. Com a indicação aceita, o condutor passa a ser o responsável pela multa e pelos pontos na CNH.

Atenção ao prazo: perder a janela da indicação significa que a multa permanece no CNPJ da empresa e os pontos são atribuídos à empresa (pessoa jurídica não tem CNH, mas o acúmulo pode bloquear o licenciamento do veículo e gerar restrições quando a pontuação ultrapassa os limites do art. 261-A do CTB).

O que acontece quando a indicação não é feita

Sem indicação de condutor no prazo, a empresa arca com:

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Para frotas grandes, o efeito cascata é significativo. Uma gestão de multas desorganizada pode gerar dezenas de veículos com licenciamento bloqueado, paralisando a operação.

Tabela de valores de multa por gravidade (referência 2024)

Gravidade Valor base Pontos na CNH Exemplos comuns em frotas
Leve R$ 88,38 3 Estacionamento irregular, velocidade até 20% acima
Média R$ 130,16 4 Ultrapassagem em local proibido, celular ao volante (alguns casos)
Grave R$ 195,23 5 Excesso de velocidade entre 20% e 50%, não uso de cinto
Gravíssima R$ 293,47 7 Excesso acima de 50%, avanço de sinal, uso de celular (maioria)
Gravíssima x2 R$ 586,94 7 Embriaguez, racha
Gravíssima x3 R$ 880,41 7 Recusa ao teste do bafômetro

O contrato com o motorista terceirizado resolve o problema?

Na prática operacional, sim, o contrato entre empresa e motorista ou entre empresa e a prestadora de serviço pode prever que o condutor reembolse a contratante por multas geradas na sua condução. Mas isso é uma obrigação civil e contratual, não muda a relação com o órgão de trânsito.

Do ponto de vista do DETRAN, quem responde é sempre o proprietário do veículo. O contrato serve para a empresa cobrar o motorista internamente, inclusive por desconto em folha (quando há vínculo empregatício com a empresa de terceirização) ou por fatura. Sem a indicação formal ao órgão, porém, os pontos não migram para a CNH do condutor real.

Responsabilidade de pontos: empresa x motorista terceirizado

Esse é um ponto crítico. Quando a indicação é feita corretamente, os pontos vão para a CNH do motorista terceirizado. Isso significa que:

Já quando a indicação não ocorre, os pontos ficam no histórico do veículo. Veículos com muitos pontos sem condutor indicado acumulam restrições que impactam diretamente o licenciamento anual.

Boas práticas de gestão de multas para frotas terceirizadas

Empresas que operam com motoristas terceirizados precisam de um fluxo claro desde a chegada da notificação até a decisão de pagar, indicar ou recorrer. Algumas práticas essenciais:

Se a sua frota acumula multas e você quer saber quais têm chance real de recurso, a análise da Agiliza Multas identifica irregularidades caso a caso, sem promessa de resultado garantido, mas com avaliação técnica honesta.

Quando recorrer faz sentido para a frota

O recurso não é exclusividade do motorista pessoa física. A empresa proprietária do veículo tem pleno direito de apresentar defesa prévia e recorrer em todas as instâncias previstas no CTB. Para frotas, o retorno financeiro de um recurso procedente é imediato: além de cancelar a multa, elimina os pontos e evita a reincidência futura que dobraria o valor de infrações similares.

Use a calculadora de pontos da CNH para entender o impacto de cada infração indicada ao motorista terceirizado antes de tomar a decisão de indicar ou recorrer.

Perguntas frequentes

A empresa pode descontar o valor da multa do salário ou fatura do motorista terceirizado?
Se houver cláusula contratual prevendo essa responsabilidade, a empresa pode cobrar o reembolso do motorista ou da empresa terceirizadora. No caso de vínculo CLT, o desconto em folha exige autorização expressa do empregado. Do ponto de vista do DETRAN, o responsável continua sendo o proprietário do veículo até que a indicação formal seja feita.
O que acontece se o motorista terceirizado se recusar a assinar a indicação de condutor?
A recusa do motorista não impede a empresa de fazer a indicação, já que o formulário é assinado pelo representante legal da empresa proprietária do veículo, não pelo condutor. O que o órgão de trânsito exige são os dados corretos do condutor real. A empresa deve ter esses dados nos registros internos de escala e no contrato com a prestadora.
Multa gerada por motorista terceirizado conta para suspensão de licenciamento do veículo?
Quando a indicação de condutor é feita corretamente, os pontos vão para a CNH do motorista e não impactam o licenciamento do veículo. Sem a indicação, os pontos ficam no histórico do veículo e, acima de determinado limite, o licenciamento pode ser bloqueado conforme regras do CTB e resoluções do CONTRAN.
Qual o prazo para a empresa fazer a indicação de condutor?
O prazo está indicado na própria Notificação de Autuação enviada pelo órgão de trânsito, geralmente 30 dias a partir do recebimento. Esse prazo é improrrogável: após vencido, não é mais possível transferir a responsabilidade ao condutor real por via administrativa.
É possível recorrer de uma multa mesmo após a indicação do motorista terceirizado?
Sim. Após a indicação, o condutor indicado passa a ser o legítimo para apresentar defesa prévia e recursos nas instâncias administrativas (JARI e CETRAN), com base nos arts. 281 e 282 do CTB. A empresa proprietária também pode recorrer caso tenha interesse na multa, por exemplo, se a indicação ainda não foi aceita pelo órgão.

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